Guia de Falácias Lógicas
← BackO que são Falácias Lógicas?
Uma falácia lógica é um erro de raciocínio que compromete a validade lógica de um argumento. Embora argumentos com falácias possam parecer convincentes à primeira vista, eles não fornecem suporte genuíno para suas conclusões. Compreender falácias é essencial para o pensamento crítico, argumentação eficaz e detecção de raciocínio falho no discurso cotidiano.
As falácias importam porque nos induzem a aceitar conclusões falsas e tomar decisões ruins. Em debates políticos, publicidade, argumentos jurídicos, discurso científico e redes sociais, falácias são usadas—às vezes intencionalmente—para manipular opiniões e contornar a avaliação racional. Aprender a identificar falácias nos capacita a pensar com mais clareza e argumentar de forma mais eficaz.
As falácias lógicas são amplamente categorizadas em dois tipos: falácias formais, que possuem estrutura lógica inválida independentemente do conteúdo, e falácias informais, que falham devido à irrelevância, ambiguidade ou pressupostos injustificados. Ambos os tipos podem fazer argumentos parecerem mais fortes do que realmente são.
O estudo das falácias tem raízes antigas no trabalho de Aristóteles sobre lógica e retórica. Ao longo da história, filósofos e lógicos catalogaram dezenas de falácias, cada uma com padrões distintos que nos ajudam a reconhecer raciocínio falho. O pensamento crítico moderno depende fortemente da detecção de falácias para avaliar alegações em ciência, direito, política e conversas cotidianas.
Falácias Formais
Falácias formais são erros na estrutura lógica de um argumento. Elas violam as regras da lógica formal, tornando o argumento inválido independentemente de as premissas serem verdadeiras. Essas falácias podem ser identificadas através da lógica simbólica e tabelas-verdade. Se a forma lógica for inválida, o argumento não pode garantir uma conclusão verdadeira mesmo quando todas as premissas são verdadeiras.
Afirmação do Consequente
Esta falácia tem a forma: Se P então Q. Q é verdadeiro. Portanto, P é verdadeiro. Isso é inválido porque Q pode ser verdadeiro por razões diferentes de P. O consequente (Q) sendo verdadeiro não prova que o antecedente (P) deve ser verdadeiro.
Exemplo: Se está chovendo, o chão está molhado. O chão está molhado. Portanto, está chovendo. (O chão poderia estar molhado por um aspersor, não pela chuva.)
Negação do Antecedente
Esta falácia tem a forma: Se P então Q. P é falso. Portanto, Q é falso. Isso é inválido porque Q pode ainda ser verdadeiro por outras razões. A implicação apenas nos diz o que acontece quando P é verdadeiro, não quando P é falso.
Exemplo: Se está chovendo, o chão está molhado. Não está chovendo. Portanto, o chão não está molhado. (O chão ainda poderia estar molhado por outras fontes.)
Afirmação de um Disjunto
Esta falácia ocorre em argumentos disjuntivos: P ou Q. P é verdadeiro. Portanto, Q é falso. Isso só é válido para OU exclusivo. No OU inclusivo (a interpretação lógica padrão), tanto P quanto Q podem ser verdadeiros simultaneamente.
Exemplo: Você pode tomar chá ou café. Você está tomando chá. Portanto, você não pode tomar café. (A menos que seja explicitamente declarado como exclusivo, ambas as opções podem estar disponíveis.)
Falácia dos Quatro Termos
Um silogismo válido tem exatamente três termos, cada um usado duas vezes. Esta falácia ocorre quando um termo médio é usado com significados diferentes, efetivamente criando quatro termos. Esta equivocação quebra a conexão lógica entre as premissas.
Exemplo: Todos os bancos são instituições financeiras. O rio tem margens íngremes. Portanto, o rio tem instituições financeiras íngremes. (A palavra 'banco' tem dois significados diferentes.)
Termo Médio Não Distribuído
Em um silogismo categórico, o termo médio (que aparece em ambas as premissas mas não na conclusão) deve estar distribuído (referir-se a todos os membros de uma classe) em pelo menos uma premissa. Se não estiver distribuído em ambas as premissas, o silogismo é inválido porque não há sobreposição garantida entre o sujeito e o predicado da conclusão.
Exemplo: Todos os gatos são animais. Todos os cachorros são animais. Portanto, todos os gatos são cachorros. (Ambas as premissas apenas nos dizem sobre alguns animais, não todos os animais, então não podemos tirar essa conclusão.)
Falácias Informais: Relevância
Falácias de relevância introduzem informações logicamente irrelevantes para a conclusão do argumento. Essas falácias distraem da questão real apelando para emoções, atacando o caráter ou introduzindo tópicos não relacionados. Embora psicologicamente persuasivas, elas falham em fornecer suporte lógico para a conclusão.
Ad Hominem (Contra a Pessoa)
Esta falácia ataca a pessoa que faz um argumento em vez de abordar o argumento em si. Existem várias variantes: abusivo (insultar a pessoa), circunstancial (sugerir viés das circunstâncias) e tu quoque (acusar hipocrisia). A validade de um argumento é independente de quem o apresenta.
Exemplo: Você não pode confiar no argumento de João sobre mudanças climáticas—ele nem é cientista. (Se João é cientista ou não não determina se seu argumento é sólido; precisamos avaliar as evidências e a lógica do argumento.)
Espantalho
Esta falácia deturpa a posição de um oponente para torná-la mais fácil de atacar. Ao distorcer, exagerar ou simplificar demais o argumento real, o argumentador cria um 'espantalho'—uma versão mais fraca que é mais fácil de derrubar—em vez de abordar a posição real.
Exemplo: A senadora Jones diz que devemos reduzir os gastos militares. Claramente, ela quer deixar nossa nação indefesa contra ameaças estrangeiras. (A posição da senadora foi exagerada em um extremo que é mais fácil de criticar.)
Pista Falsa
Uma pista falsa introduz um tópico irrelevante para desviar a atenção da questão original. O argumentador muda o foco para algo que pode ser interessante ou emocionalmente carregado, mas não aborda o ponto real de contenção. Esta tática é frequentemente usada para evitar abordar questões difíceis.
Exemplo: Não devemos nos preocupar com a poluição das usinas quando há tantas pessoas desempregadas que precisam de empregos. (O desemprego, embora importante, é irrelevante para a questão do impacto ambiental da poluição.)
Apelo à Autoridade (Argumentum ad Verecundiam)
Esta falácia invoca inapropriadamente a autoridade para apoiar uma afirmação. Embora o testemunho de especialistas possa fornecer suporte legítimo, esta falácia ocorre quando a autoridade carece de expertise relevante, o campo carece de consenso, a autoridade é citada fora de contexto ou o tópico requer raciocínio em vez de testemunho. Nem todos os apelos à autoridade são falaciosos—apenas os inapropriados.
Exemplo: Esta dieta deve ser eficaz—meu ator favorito a usa. (O endosso de um ator não constitui expertise em nutrição ou evidência de eficácia.)
Apelo à Emoção (Argumentum ad Passiones)
Esta falácia manipula emoções (medo, pena, orgulho, ódio) em vez de usar raciocínio válido. Variantes específicas incluem apelo ao medo (argumentum ad metum), apelo à piedade (argumentum ad misericordiam) e apelo à bajulação. Embora as emoções sejam parte da experiência humana, elas não devem substituir a avaliação lógica.
Exemplo: Se você não apoiar esta lei, imagine como você se sentiria se fosse seu filho que fosse ferido. (O apelo emocional não aborda se a lei é eficaz ou justificável.)
Apelo à Ignorância (Argumentum ad Ignorantiam)
Esta falácia argumenta que uma afirmação é verdadeira porque não foi provada falsa (ou vice-versa). Ausência de evidência não é evidência de ausência. Esta falácia transfere o ônus da prova de forma inapropriada, exigindo que os oponentes refutem uma afirmação em vez de o reclamante fornecer evidência positiva.
Exemplo: Ninguém provou que alienígenas não existem, então eles devem existir. (A falta de refutação não constitui prova de existência.)
Tu Quoque (Você Também)
Esta falácia descarta um argumento apontando que o comportamento do argumentador é inconsistente com sua posição. Embora a hipocrisia possa minar a credibilidade de alguém, ela não invalida o mérito lógico de seu argumento. A verdade de uma afirmação é independente de a pessoa que a afirma seguir seus próprios conselhos.
Exemplo: Você diz que eu deveria parar de fumar, mas você também fuma, então seu argumento está errado. (Os riscos à saúde do fumo permanecem válidos independentemente de o argumentador fumar.)
Falácia Genética
Esta falácia julga algo como verdadeiro ou falso com base em sua origem em vez de seu mérito atual ou evidência. A fonte de uma ideia não determina seu valor de verdade. Os argumentos devem ser avaliados por seus próprios méritos, independentemente de onde vieram.
Exemplo: Essa teoria veio de um pesquisador desacreditado, então deve ser falsa. (Mesmo que o pesquisador seja desacreditado, a teoria deve ser avaliada por suas próprias evidências e lógica.)
Falácias Informais: Pressuposição
Falácias de pressuposição contêm suposições duvidosas ou injustificadas. Essas falácias tomam como certas alegações que requerem prova, simplificam demais questões complexas ou pedem o princípio assumindo o que estão tentando provar. Elas falham porque não estabelecem a base necessária para suas conclusões.
Petição de Princípio (Petitio Principii)
Esta falácia ocorre quando a conclusão de um argumento é assumida em uma de suas premissas, criando raciocínio circular. O argumento vai em círculo, usando a conclusão para apoiar a si mesma em vez de fornecer justificativa independente. Isso é frequentemente disfarçado usando palavras diferentes para a premissa e a conclusão.
Exemplo: A Bíblia é a palavra de Deus porque Deus diz isso na Bíblia. (Isso assume que a Bíblia é autoritativa para provar que a Bíblia é autoritativa.)
Falso Dilema (Falsa Dicotomia)
Esta falácia apresenta apenas duas opções quando mais alternativas existem, forçando uma escolha entre extremos. Também chamada de pensamento preto e branco, esta falácia simplifica demais situações complexas ignorando meio-termo, opções graduais ou múltiplos fatores. A realidade frequentemente inclui nuances que escolhas binárias excluem.
Exemplo: Você está conosco ou contra nós. (Isso ignora posições neutras, concordância parcial ou perspectivas alternativas.)
Ladeira Escorregadia
Esta falácia argumenta que um primeiro passo levará inevitavelmente a uma cadeia de eventos resultando em um resultado indesejável, sem fornecer justificativa adequada para a inevitabilidade desta cadeia. Nem todos os argumentos de ladeira escorregadia são falaciosos—apenas aqueles que carecem de evidência de que cada passo realmente levará ao próximo.
Exemplo: Se permitirmos que os alunos refaçam uma tarefa, logo eles vão querer refazer todas as tarefas, então vão exigir que eliminemos todos os prazos, e eventualmente todo o sistema de notas entrará em colapso. (Esta reação em cadeia é afirmada sem evidência.)
Generalização Precipitada
Esta falácia tira uma conclusão geral de evidências insuficientes, não representativas ou tendenciosas. O tamanho da amostra importa no raciocínio estatístico, assim como os métodos de amostragem. Uma conclusão sobre uma população requer dados adequados que representem a diversidade dessa população.
Exemplo: Conheci duas pessoas rudes daquela cidade, então todos daquela cidade devem ser rudes. (Duas pessoas não constituem uma amostra representativa da população de uma cidade inteira.)
Falácia de Composição
Esta falácia assume que o que é verdadeiro das partes deve ser verdadeiro do todo. Embora às vezes válido (propriedades coletivas), este raciocínio falha para propriedades que não escalam. Uma falácia de composição ocorre quando propriedades de elementos individuais são incorretamente atribuídas ao sistema que eles compõem.
Exemplo: Cada jogador do time é excelente, então o time deve ser excelente. (Habilidade individual não garante coordenação e estratégia de equipe.)
Falácia de Divisão
Este é o reverso da composição: assumir que o que é verdadeiro do todo deve ser verdadeiro de suas partes. Embora algumas propriedades se distribuam para baixo, muitas não. Esta falácia ocorre quando propriedades coletivas são incorretamente atribuídas a membros individuais.
Exemplo: A empresa é lucrativa, então cada departamento deve ser lucrativo. (Alguns departamentos podem operar com prejuízo enquanto outros geram superávit.)
Pergunta Complexa (Pergunta Tendenciosa)
Esta falácia incorpora uma suposição injustificada dentro de uma pergunta, fazendo qualquer resposta direta parecer aceitar essa suposição. O exemplo clássico é 'Você parou de bater em sua esposa?'—tanto sim quanto não implicam que você já fez isso. Perguntas complexas devem ser divididas para abordar suas suposições ocultas primeiro.
Exemplo: Quando você parou de sonegar impostos? (Isso pressupõe que você estava sonegando, o que pode não ser verdade.)
Evidência Suprimida (Seleção Seletiva)
Esta falácia apresenta seletivamente apenas evidências favoráveis enquanto ignora ou oculta evidências contrárias. Um argumento justo reconhece todas as evidências relevantes, incluindo dados que possam enfraquecer a conclusão. A seleção seletiva cria uma imagem enganosa ao omitir contexto.
Exemplo: Este tratamento funciona—cinco pacientes melhoraram. (Isso ignora os 95 pacientes que não melhoraram, criando uma falsa impressão de eficácia.)
Falácias Informais: Ambiguidade
Falácias de ambiguidade exploram significados pouco claros ou mutáveis de palavras, frases ou estrutura gramatical. Essas falácias equivocam entre diferentes sentidos de termos ou dependem de linguagem vaga para obscurecer raciocínio inválido. Precisão na linguagem é essencial para evitar essas falácias.
Equivocação
Esta falácia usa uma palavra ou frase com múltiplos significados de forma inconsistente dentro de um argumento. Ao alternar entre significados, o argumento parece válido mas na verdade comete a falácia dos quatro termos (em silogismos) ou de outra forma quebra conexões lógicas. Definições claras previnem equivocação.
Exemplo: A placa dizia 'multa por estacionar aqui', então deve ser bom para eu estacionar aqui. (A palavra 'multa' muda de significar 'penalidade' para significar 'aceitável'.)
Anfibologia
Esta falácia surge de estrutura gramatical ambígua em vez de palavras ambíguas. Construção de frase ruim pode tornar o significado pouco claro, permitindo diferentes interpretações que levam a diferentes conclusões. Sintaxe adequada elimina anfibologia.
Exemplo: O professor disse na segunda-feira que daria uma palestra. (Isso significa que o professor falou na segunda-feira sobre uma palestra futura, ou que a palestra ocorrerá na segunda-feira?)
Falácia de Ênfase
Esta falácia muda o significado de uma declaração enfatizando diferentes palavras ou usando citação seletiva. Ao enfatizar palavras particulares, tirar declarações de contexto ou citar seletivamente, o argumentador deturpa o significado original para apoiar sua posição.
Exemplo: A crítica disse que o filme era 'bom' se você estiver 'desesperado' por entretenimento. (Enfatizar partes diferentes muda se isso é uma recomendação.)
Nenhum Verdadeiro Escocês
Esta falácia protege uma afirmação universal de contra-exemplos redefinindo arbitrariamente termos ou adicionando qualificações. Quando confrontado com evidências contra uma generalização abrangente, o argumentador move os postes ao alegar que o contra-exemplo não conta, tornando assim a afirmação infalsificável e sem sentido.
Exemplo: Nenhum escocês coloca açúcar no mingau. 'Mas meu tio escocês faz.' Bem, nenhum verdadeiro escocês coloca açúcar no mingau. (A definição é modificada para excluir contra-exemplos.)
Falácias Causais
Falácias causais envolvem erros no raciocínio sobre causa e efeito. Estabelecer causalidade requer mais do que correlação; requer evidência de que um evento genuinamente produz outro. Essas falácias inferem erroneamente relações causais de sequência temporal, correlação ou análise simplificada demais.
Post Hoc Ergo Propter Hoc
Esta frase latina significa 'depois disso, portanto por causa disso'. Esta falácia assume que porque um evento precedeu outro, ele deve tê-lo causado. Sucessão temporal sozinha não estabelece causalidade—correlação não implica causalidade. Muitos fatores influenciam eventos, e proximidade temporal pode ser coincidental.
Exemplo: Usei minha camisa da sorte e então passei no exame, então a camisa causou meu sucesso. (O sucesso no exame provavelmente resultou de estudar, não da roupa.)
Correlação Não Implica Causalidade
Quando duas variáveis se correlacionam (mudam juntas), elas podem estar causalmente relacionadas, mas a correlação por si só não prova causalidade. Pode haver uma terceira variável causando ambas (causa comum), causalidade reversa ou a correlação pode ser coincidental. Estabelecer causalidade requer experimentos controlados ou análise cuidadosa descartando explicações alternativas.
Exemplo: As vendas de sorvete e mortes por afogamento aumentam no verão, mas sorvete não causa afogamento—o tempo quente é a causa comum de ambos. (Confundir correlação com causalidade pode levar a conclusões absurdas.)
Falácia de Causa Única
Esta falácia assume que um evento complexo tem apenas uma causa quando múltiplos fatores contribuíram. Fenômenos do mundo real geralmente resultam de múltiplas causas interagindo. Simplificar demais a causalidade para um único fator ignora a complexidade das relações causais e pode levar a soluções ineficazes.
Exemplo: A recessão foi causada pelo colapso do mercado imobiliário. (Embora significativo, as recessões normalmente envolvem múltiplos fatores econômicos: práticas bancárias, política monetária, confiança do consumidor, comércio global, etc.)
Simplificação Causal Excessiva
Esta falácia reduz relações causais complexas a explicações excessivamente simples. Ela ignora fatores contribuintes, variáveis mediadoras, ciclos de feedback e influências contextuais que afetam os resultados. Embora a simplificação ajude na compreensão, a simplificação excessiva distorce a realidade e dificulta a resolução eficaz de problemas.
Exemplo: O crime diminuiu porque contratamos mais policiais. (Isso ignora fatores econômicos, mudanças demográficas, programas sociais, reformas da justiça criminal e outras variáveis que influenciam as taxas de criminalidade.)
Falácias Estatísticas
Falácias estatísticas envolvem uso indevido ou má interpretação de dados estatísticos e probabilidade. Essas falácias incluem ignorar taxas base, mal-entender variação natural, relatar dados seletivamente e supervalorizar evidências anedóticas. A alfabetização estatística é essencial para avaliar alegações quantitativas em ciência, medicina, economia e política pública.
Negligência da Taxa Base
Esta falácia ignora probabilidades prévias (taxas base) ao avaliar novas informações. Ao avaliar a probabilidade de um evento, devemos considerar tanto a evidência específica quanto a frequência base desse evento na população. Negligenciar taxas base leva a erros sistemáticos de julgamento, especialmente em diagnóstico médico, avaliação de risco e justiça criminal.
Exemplo: Um teste que é 99% preciso mostra positivo. Mas se a condição afeta apenas 0,1% das pessoas, a maioria dos resultados positivos são falsos positivos devido à baixa taxa base. (A precisão do teste deve ser considerada junto com a raridade da condição.)
Regressão à Média
Valores extremos tendem a ser seguidos por valores mais próximos da média devido à variação natural, não por causa de qualquer intervenção. Esta falácia confunde variação estatística natural com o efeito de uma ação ou tratamento. Compreender a regressão à média previne a atribuição errônea de causalidade a intervenções que coincidem com variação natural.
Exemplo: Após as piores notas dos alunos em um teste, um discurso motivacional foi dado e as notas melhoraram. (A melhoria provavelmente reflete regressão à média—desempenhos extremos naturalmente tendem à média—em vez da eficácia do discurso.)
Seleção Seletiva (Evidência Seletiva)
Esta falácia apresenta seletivamente dados favoráveis enquanto ignora dados desfavoráveis. É uma forma de viés de confirmação onde evidências são selecionadas para apoiar uma conclusão predeterminada. Análise honesta requer considerar todas as evidências relevantes, não apenas pontos de dados convenientes. A seleção seletiva cria impressões enganosas e distorce conclusões.
Exemplo: Destacar apenas os anos mais quentes para argumentar sobre mudanças climáticas enquanto ignora outros dados, ou apenas os anos mais frios para negá-la. (Análise de dados abrangente, não exemplos seletivos, é necessária.)
Vivacidade Enganosa
Esta falácia dá peso desproporcional a anedotas vívidas e memoráveis sobre evidências estatísticas mais confiáveis. Os humanos naturalmente respondem fortemente a histórias concretas e emocionais, mas exemplos isolados não representam padrões gerais. Evidências anedóticas são particularmente vulneráveis ao viés de seleção e não substituem dados sistemáticos.
Exemplo: Minha avó fumou diariamente e viveu até os 100 anos, então fumar não pode ser tão perigoso. (Uma única anedota vívida não supera estudos epidemiológicos abrangentes mostrando os riscos à saúde do fumo.)
Exemplos do Mundo Real
Falácias lógicas aparecem frequentemente em vários domínios do discurso público. Reconhecer esses padrões ajuda a avaliar argumentos criticamente:
Retórica e Debate Político
Políticos frequentemente empregam falácias para persuadir eleitores: ataques ad hominem contra oponentes, falsos dilemas que simplificam demais escolhas políticas complexas, apelos ao medo sobre consequências de políticas opostas e caracterizações espantalho de posições rivais. Eleitores críticos podem identificar essas táticas e exigir argumentos substantivos em vez disso.
Publicidade e Marketing
Anúncios comumente usam apelos à autoridade (endossos de celebridades), apelos à emoção (associando produtos com felicidade ou sucesso), generalizações precipitadas de depoimentos e estatísticas enganosas. Reconhecer essas táticas ajuda os consumidores a tomar decisões racionais de compra baseadas no mérito real do produto em vez de mensagens manipuladoras.
Reportagem de Mídia
A mídia noticiosa às vezes comete falácias através do sensacionalismo (vivacidade enganosa de histórias dramáticas), falso equilíbrio (tratando posições desiguais como igualmente válidas), seleção seletiva de dados para apoiar narrativas e raciocínio post hoc sobre tendências e eventos. A alfabetização midiática envolve avaliar fontes, verificar alegações e reconhecer viés e raciocínio falacioso.
Argumentos em Redes Sociais
Discussões online são terreno fértil para falácias: ataques ad hominem em seções de comentários, deturpações espantalho das visões de outros, falsos dilemas que exigem tomar partido e apelos à ignorância. A natureza rápida e informal do discurso nas redes sociais facilita o raciocínio falacioso que não sobreviveria ao escrutínio cuidadoso.
Argumentos Jurídicos
Advogados empregam estrategicamente retórica que pode beirar a falácia: apelos à emoção em argumentos finais, pistas falsas para distrair de evidências prejudiciais e atacar a credibilidade de testemunhas (legítimo ou ad hominem). O treinamento jurídico enfatiza distinguir advocacia legítima de raciocínio falacioso que não deveria persuadir júris.
Discurso Científico
Até o discurso científico não é imune a falácias: apelos à autoridade sem dados de apoio, seleção seletiva de estudos apoiando hipóteses, generalizações precipitadas de dados limitados e viés de confirmação na interpretação de resultados. Revisão por pares e replicação ajudam a filtrar raciocínio falacioso, mas compreender falácias fortalece o pensamento científico.
Como Identificar Falácias
Desenvolver habilidade na detecção de falácias requer prática e abordagens sistemáticas. Aqui estão estratégias-chave para identificar raciocínio falacioso:
Questione a Estrutura do Argumento
Examine se as conclusões seguem logicamente das premissas. Pergunte: A conclusão necessariamente segue? Há lacunas lógicas? O argumento comete falácias formais como afirmar o consequente ou negar o antecedente? Mapeie a estrutura do argumento para revelar se a forma lógica é válida.
Procure por Suposições Ocultas
Identifique premissas não declaradas nas quais os argumentos se baseiam. Pergunte: O que deve ser verdade para que essa conclusão se siga? Essas suposições são justificadas? O argumento pede o princípio assumindo o que está tentando provar? Há falsos dilemas que limitam artificialmente as opções? Tornar suposições implícitas explícitas revela se elas são justificadas.
Verifique a Relevância das Premissas
Avalie se as premissas realmente apoiam a conclusão. Pergunte: Esta premissa é relevante para a conclusão? Ela aborda a questão real ou introduz distrações (pistas falsas)? Ataques ad hominem ou apelos à emoção estão substituindo apoio lógico? Relevância é crucial—premissas irrelevantes, não importa quão verdadeiras, não apoiam conclusões.
Avalie a Qualidade da Evidência
Avalie a força e confiabilidade da evidência apresentada. Pergunte: O tamanho da amostra é adequado para generalizações? A evidência é selecionada seletivamente ou abrangente? As alegações estatísticas são adequadamente contextualizadas com taxas base? Anedotas recebem peso desproporcional? A evidência é de fontes confiáveis e especializadas? Evidência de qualidade é essencial para conclusões sólidas.
Considere Explicações Alternativas
Examine se outras explicações se ajustam à evidência. Pergunte: A correlação pode ser explicada por causas comuns em vez de causalidade direta? Existem múltiplos fatores em vez de uma única causa? Isso pode ser coincidental (post hoc)? A regressão à média explica o padrão? Considerar alternativas previne conclusões causais prematuras.
Aplique Lógica com Nossa Calculadora
Use nossa calculadora de lógica para praticar raciocínio formal e evitar falácias formais. Ao visualizar tabelas-verdade e relações lógicas, você pode verificar se os argumentos são estruturalmente válidos e desenvolver habilidades de raciocínio lógico mais fortes.